Metodologia

A regra principal

Toda classificação neste site é atribuída (diz quem classificou), datada (diz em que ano foi medida, quando foi publicada e quando conferimos) e acompanhada do método. Escolher as fontes, os cortes e as perguntas do teste são decisões editoriais nossas, e elas estão descritas nesta página.

Fonte 1: pesquisa com cientistas políticos (2018 e 2022)

Bruno Bolognesi, Ednaldo Ribeiro, Adriano Codato e Bruno Fernando da Silva pediram a cientistas políticos brasileiros e brasilianistas que dessem a cada partido registrado uma nota de 0 (extrema esquerda) a 10 (extrema direita), em 2018 e em 2022. Cada partido recebeu entre cerca de 400 e 510 notas. Os dados brutos são públicos (licença CC0) e nós recalculamos a média, o desvio-padrão, a mediana e a divisão por faixa a partir deles.

Os autores agrupam as médias em sete faixas: extrema esquerda (0–1,5), esquerda (1,51–3), centro-esquerda (3,01–4,49), centro (4,5–5,5), centro-direita (5,51–7), direita (7,01–8,5) e extrema direita (8,51–10). “Extrema” é só o nome da faixa numérica: os autores avisam que ela não avalia se o partido é antissistema.

A mesma pesquisa perguntou o objetivo principal de cada partido (buscar cargos, votos ou políticas). Usamos essa pergunta na página do Centrão.

Duas diferenças com a tabela publicada. Para o PCdoB e o Podemos em 2018, a tabela do artigo traz a média junto com partidos que eles incorporaram depois (PPL e PHS). O site mostra a média da própria legenda, calculada dos dados brutos, e explica a diferença na ficha.

Média ponderada. Os autores também publicam uma média de 2022 ajustada pela posição de 2018. Mostramos as duas quando elas caem em faixas diferentes.

Fonte 2: pesquisa com deputados e senadores (1990 a 2021)

As Brazilian Legislative Surveys, coordenadas por Timothy Power e Cesar Zucco, perguntam a parlamentares onde ficam os partidos e os presidentes da República numa escala de esquerda a direita. Os autores publicam uma estimativa por partido e por presidente em cada onda, numa escala própria (negativo = esquerda). Não convertemos essa escala para 0 a 10 nem para faixas: mostramos a ordem e o valor, com o ano da onda. A onda de 2025 foi aplicada, mas os dados não estavam publicados quando conferimos.

Concordante, disputada ou sem classificação

Separamos sempre três tipos de divergência: entre métodos (média simples × ponderada), entre especialistas (a divisão das notas, mostrada em barras) e no tempo (2018 × 2022).

Fonte 3: votações nominais (cálculo do site)

Para deputados e senadores, calculamos a posição a partir das votações nominais de plenário da legislatura iniciada em fevereiro de 2023, com os arquivos de dados abertos da Câmara e do Senado. O modelo é o mais usado em ciência política para esse fim: cada votação separa os parlamentares em dois lados, e o cálculo procura a ordem, numa única linha, que melhor explica todos os votos (modelo logístico de resposta ao item com uma dimensão, estimado por máxima verossimilhança penalizada, como no W-NOMINATE e nos pontos ideais bayesianos).

O que a medida diz e o que não diz. Ela resume como a pessoa votou em relação aos colegas naquela legislatura, não o que ela pensa. No Brasil, a primeira divisão das votações mistura ideologia com apoio ou oposição ao governo: em 2023–2026, partidos que os especialistas põem à direita, mas que votam muitas vezes com o governo Lula (como PSD, MDB, União e PP), aparecem perto do centro. A escala é própria (média 0, desvio 1) e não é convertida para as faixas de 0 a 10.

Pessoas

A posição de um partido não é atribuída a seus filiados. Só mostramos a posição de uma pessoa quando há medida individual: os presidentes da República (pesquisa com parlamentares) e deputados e senadores (votações nominais). Fichas próprias existem para quem tem procura nas buscas; os demais aparecem nas listas da página Congresso.

O teste

O teste tem 24 frases, 12 sobre economia e 12 sobre costumes. Em cada eixo, 6 frases puxam para a esquerda quando a pessoa concorda e 6 puxam para a direita, para que concordar com tudo dê resultado neutro. As respostas valem de −2 (discordo totalmente) a +2 (concordo totalmente); “não sei” fica fora da conta, e cada eixo precisa de pelo menos 8 respostas.

Cada eixo vira um número de 0 (esquerda ou progressista) a 100 (direita ou conservador). A meia-lua mostra a média dos dois eixos em cinco zonas de 20 pontos. Quando um eixo fica até 35 e o outro a partir de 65, o resultado é “perfil cruzado”, porque a média esconderia duas posições opostas. As zonas do teste não equivalem às faixas dos especialistas, e o teste nunca é comparado com partidos ou pessoas.

As frases foram conferidas pelo autor com um pequeno grupo de pessoas de posições diferentes, para ver se eram claras e se o resultado fazia sentido para cada uma. Não houve validação estatística (amostra grande e medidas de consistência), por isso o teste serve para orientar, não para medir com precisão.

Correções e atualizações

Reconferimos as fontes quando sai uma nova onda das pesquisas ou quando o TSE registra, funde ou renomeia partidos. Correções ficam registradas em correções. Para sugerir uma, escreva para contato@direitaeesquerda.com.br com a página e a fonte.

Fontes conferidas em : Bolognesi, Ribeiro, Codato e Silva, Opinião Pública (2025), dados no Harvard Dataverse; Zucco e Power, Latin American Politics and Society (2023), Brazilian Legislative Surveys. Detalhes em metodologia e fontes. Achou um erro? Sugira uma correção.